segunda-feira, 28 de março de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Duas "famosidades" de WILLIAM SHAKESPEARE
Ele é considerado o maior dramaturgo inglês , além de poeta e ator.
Viveu entre 1564 e 1616.
" A MEGERA DOMADA "
é uma das primeiras comédias de costumes do autor, publicada em 1590.
Petruchio,
Catharina,
casamento,
conflito entre sexos opostos e
jogo de sedução
são os ingredientes primordiais dessa peça primorosa
Aqui publico as cenas finais do filme homônimo ( 1967 ) de Franco Zeffirelli, interpretado por
Richard Burton
e
Elizabeth Taylor :
WMV
" ROMEU E JULIETA "
é uma tragédia, escrita por volta de 1595, e sua peça mais famosa.
Uma história ambientalizada em Verona (Itália),
sobre dois adolescentes,
o amor
e cujas mortes acabam unindo duas famílias outrora rivais :
os Montechio e os Capuleto.
Denuncia a hipocrisia,
as convenções sociais,
os interesses econômicos,
a sede de poder,
a intolerância...
Este vídeo é um fragmento do filme ( 1968 ) de Franco Zeffirelli, com a cena do balcão, do Ato II, protagonizada por
Leonard Whiting
e
Olivia Hussey :
WMV
https://www.youtube.com/watch?v=FZBjlKf3AW4&list=PLsl2fxRmk3kTQNMk-6_OrOKBJbWsWJwyR
Souvenir adquirido em visita a Verona, em 1994, onde conheci a famosa Casa de Julieta, com as mobílias da época, frequentadíssima por casais apaixonados, namorados e amantes, que deixam nas paredes e muros da casa seus nomes escritos. As mulheres e moças costumam aparecer, uma por vez, no balcão do andar superior, com gesticulações apaixonadas e o "Romeu", aqui em baixo, faz pose para uma foto romântica.
Em outro local, há algumas quadras daqui, está o cemitério, com a tumba de Julieta e, onde funciona uma pizzaria, era a casa onde viveu Romeu.
Doado em 26.11.16,
como recordação,
à minha amiga Polyana.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
NO PRINCÍPIO ...
De acordo com as COSMOGONIAS das principais culturas religiosas do mundo,
o SOM (= 'shabda' ) está na origem do Universo.
Para os cristãos, é a PALAVRA (= 'o verbo' ) que produz o Universo.
Para os budistas e hinduístas é a partir do NADA (= som primordial ) que se desenvolve a manifestação.
A Física revela que todo som, através de suas vibrações, opera sobre os demais corpos afetando
o seu ordenamento molecular,
influi nos processos físico-químicos
e na coesão orgânica da matéria.
Constatações dessa ordem levam-nos a reconsiderar antigas lendas que já ouvimos acerca dos samurais, que tinham o poder de matar alguém com apenas um grito, ou do imperador chinês que mantinha um poder inabalável sobre o seu povo, através de um rígido controle de afinação dos instrumentos musicais de todos os músicos do império.
Esses conhecimentos modernos acerca do efeito dos sons sobre o homem, os antigos hindus já haviam absorvido há milhares de anos atrás, dando origem a um extenso acervo de CÓDIGOS SONOROS que hoje conhecemos como sílabas sagradas ou MANTRAS.
Através do estudo dessas fórmulas podemos entrar no jogo das vibrações que constituem o Universo.
Dentro da tríade sagrada hindu, a função de SHIVA é destruir o mundo para que seja reconstruído por BRAHMA e um novo ciclo se inicie.
Enquanto SHIVA realizava a 'dança do Universo', alguns aforismos foram ouvidos juntamente aos sons emitidos pelo pequeno tambor que tocava para ritmar a própria dança :
esses aforismos receberam o nome de
'MANTRAS'
Milhares de anos atrás, os sábios e os yoguis meditavam em cavernas, onde reinava silêncio absoluto.
Retraíram suas mentes dos sons do corpo físico, focalizando-as nos centros de energia vital, chamados CHAKRAS.
Esses sábios ouviram 50 diferentes vibrações dos 7 chakras e traduziram-nas através das cordas vocais em 50 letras, dando origem ao alfabeto do IDIOMA SÂNSCRITO.
Através de inúmeras vibrações dessas letras foram criados os MANTRAS.
Existem 3 tipos :
BIJ MANTRA
é o mantra semente ; possui de 1 a 10 letras.
Ex. : ON, YAM, LAM, VAM, RAM...
MANTRA
possui de 10 a 20 letras.
Ex. : OM NAMO HARI MARKAT
MARKATAYA SWAHA
MALA MANTRA
possui mais de 20 letras.
Ex. : SUGANDHIM PUSHTIVARDHANAM
URVARUKMIVA BANDHANAN
Há também os RICHAS (= hinos mântricos ), cânticos de devoção a alguma divindade.
Os MANTRAS também podem ser divididos
em outras categorias :
a)
Quanto ao gênero :
masculino - caso termine com VASHAT ou FAT
feminino - caso termine com VOUSHAT ou SWAHA
neutro - se termina com NAMAH
b)
Quanto ao temperamento : 'deve-se observar a recorrência de certas sílabas '
quente - a, á, i, í, e, é, ka, cha, ta, pa, ya, sha, kha, tha, fa, ra ...
frio - u, ú, ga, já, da, ba, la, ri, ó, dha, gha, bha, va, ma ...
morno - iri, xa, ang, yan, na, ana, ma, sh, as, há ...
Este mantra serve para incorporar as virtudes do Criador na nossa vida cotidiana :
" Reverencio àqueles que já venceram todos os inimigos internos : ignorância, orgulho, ganância, raiva ...
Reverencio àqueles que despertaram a consciência.
Reverencio os mestres, os orientadores espirituais e os sábios. "
WMV
Energias invocadas :
TA sucesso, triunfo
TSA esforço, empenho
VI nutrir, sustentar, obedecer
TUR bem-estar, bênção, evolução
VA união, conjugação
RE amor universal
NYAM riqueza, prosperidade
BHA brilho, aura, luminosidade
RGO abrigo, proteção, segurança
DE consciência, inteligência
UA controle, repressão
SYA fé, devoção, fidelidade
DHI capacidade, poder de retenção
MA vida, vitalidade, espírito
HI disciplina, domínio sobre os desejos
DHI penitência, austeridade
YO vigília
NAH criação
PRA simplicidade
CHO coragem, ânimo
DA humildade
YA juízo, razão, sabedoria
T servir, compaixão
MANTRA DA ALEGRIA
OM = qualidade dos corpos,
da fala e
das mentes dos seres iluminados.
TARE = aquela que liberta
TUTTARE = que elimina todos os medos
TURE = que concede todo o sucesso
SOHA = possam as bênçãos se enraizarem
nos nossos corações
WMV
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
O SINAL DE RAMANITA - Malba Tahan
Há poucos anos, quando visitei Calcutá, tomei para guia,
a fim de melhor conhecer as curiosidades religiosas da Índia, um brâmane
chamado MARICHIPA que me fora indicado pelo gerente do Hotel Dakka.
Uma tarde, quando percorríamos o templo de Parvati, passou junto de nós, acompanhada de diversos turistas ingleses, uma mulher loura, elegantemente trajada, e que despertava a atenção de todos pelas linhas incomparáveis de sua formosura.
- Quem será essa encantadora estrangeira ?perguntei ao guia. Dificilmente poderíamos encontrar, sob o céu da Ásia, criatura mais sedutora !
- É uma hóspede do Grande Hotel – explicou-me MARICHIPA.
– Disseram-me que veio
da América e que pretende chegar, numa excursão de automóvel, até Allahabad.
- É
rica, muito destemida e percorre o mundo à procura de ídolos exóticos para sua
coleção.
Ao meu espírito de muçulmano causou não pequena admiração aquela criatura maravilhosa que abandonava o conforto da civilização para vir caçar manipansos entre os adoradores do Ganges.
Parecia-me impossível que se me deparasse outra
vez na vida tão original “colecionadora de ídolos”.
- Por ALLAH ! – exclamei com entusiasmo – essa americana do Grande Hotel é a verdadeira perfeição !
MARICHIPA sorriu exibindo seus dentes amarelos.
- Verdadeira perfeição ? – repetiu ele.
– Só mesmo um cego ou um apaixonado
deixará de notar que aquela mulher traz no rosto o sinal de RAMANITA !
Fitei o guia hindu sem disfarçar o grande interesse que as suas palavras haviam despertado em mim.
Já não era a primeira vez que me acontecia ouvir referir-se
alguém ao sinal de RAMANITA.
Declarei-lhe, pois, que não hesitaria em gastar
meia libra para ouvir uma explicação minuciosa a tal respeito.
O ouro torna eloqüente o indivíduo mais tímido e acanhado.
A meia libra
prometida operou o milagre.
O guia contou-me, numa linguagem obscura, cheia de
realismos grosseiros, uma interessante lenda que poderia ser intitulada
“O SINAL DE RAMANITA”
Vou tentar traduzi-la.
No país de Navayanta vivia uma jovem chamada RAMANITA que possuía as sete virtudes, os quinze atributos, e era, além do mais, de boa casta e de origem nobre.
Os brâmanes disseram-lhe um dia:
- Queres agradar ao incomparável INDRA, deus do ar ?
- Vem servir no templo.
Poderás acompanhar pelas ruas as vacas sagradas e receber, nos dias de festas,
as dádivas dos fiéis.
A formosa RAMANITA não atendeu ao convite dos sacerdotes.
Para servir no templo
de Indra seria ela obrigada a renunciar ao amor do jovem DEYBEK, príncipe de
Adjmir.
E a linda menina, embora venerasse SIVA e temesse INDRA, não se sentia
com coragem para tão grande sacrifício.
Na Índia é assim: a mulher apaixonada
põe o seu amor acima dos próprios deuses !
E os deuses hindus são poderosos ; alguns há que possuem quatro e até oito braços !
Vivem no mundo – assim afirmam os adeptos de INDRA – certos seres gigantescos e perversos chamados RAKSHASAS.
E aconteceu que o pai de RAMANITA caiu gravemente
enfermo, ferido pela maldade sem limites de um desses demônios.
Os brâmanes procuraram novamente a jovem:
- Ó RAMANITA ! O teu velho pai sofre a influência dos espíritos maus ! Queres salvá-lo ? Já vimos um DEITYAS rondando tua casa com o rosto coberto com véu preto !
- Que devo fazer ? – perguntou RAMANITA. – Bem sei que os DEITRYAS são mensageiros da morte !
- Vem servir ao nosso templo durante um ano – disseram-lhe os brâmanes. – Intercederemos junto a Indra por teu pai e, é certo, ele ficará, em conseqüência de nossas preces, são e salvo. Pelas quatro faces de BRAMA, ó RAMANITA !, salva teu pai !
As palavras dos sacerdotes calaram fundo no coração da jovem.
O apelo feito –
pelas faces do Grande Deus – não foi em vão.
RAMANITA resolveu servir ao templo
durante um ano e assim fazia somente para livrar seu pai das garras impiedosas
dos RAKSHASASA.
Como esquecer, porém, durante tão largo período, aquele que era seu único amor ?
E uma noite quando Ramanita, já presa no templo, fiel à sua palavra, lamentava o seu triste destino, viu surgir na sua frente a figura deslumbrante de LAIDASA, que é uma das muitas ninfas – denominadas APSARAS – que habitam o céu de INDRA.
- Por que choras, RAMANITA ? – perguntou com voz carinhosa LAIDASA. Aqui estou, por ordem de INDRA, para auxiliar-te. Dize, pois, o que desejas. Tudo farei para servir-te.
- Tenho saudades de meu noivo – soluçou RAMANITA.
– E, além dessa saudade, vive
dentro de mim um ciúme torturante. Assalta-me o receio de que as mulheres,
durante minha ausência, roubem o coração daquele que será meu esposo.
- Que queres que eu faça ? – perguntou a ninfa.
- Bondosa apsara – acudiu a jovem apaixonada - sei que és dotada, como todos os gênios que pertencem ao paraíso de INDRA, de um poder extraordinário. Só poderei permanecer tanqüila neste templo se for atendida no pedido que te vou fazer.
Não quero que apareça no mundo, enquanto eu estiver afastada do meu noivo, mulher alguma que seja dotada de uma beleza impecável. Deixarás, bem visível, em todas as mulheres, por mais formosas que sejam, um traço qualquer de imperfeição.
- Assim farei, minha filha – respondeu a enviada celeste.
– Conserva em paz o
teu coração, pois enquanto estiveres presa ao serviço de INDRA, não aparecerá no
mundo mulher alguma que possa dizer como RAMANITA : “A minha formosura é
impecável !”
E tendo pronunciado tais palavras LAIDASA desapareceu.
Alguns meses depois, soube RAMANITA que o príncipe DEYBEK havia perecido, nas garras de um tigre, durante uma caçada.
A infeliz serva do templo não resistiu a esse golpe da fatalidade. E quando ela morreu o seu corpo adorável, conduzido pelos sacerdotes, foi atirado ao Ganges.
Desaparecia com RAMANITA, nas ondas do rio sagrado, a última mulher perfeita do mundo.
E sabe por quê ?
Porque o Deus INDRA, fiel à sua promessa, continuou a imprimir em todas as mulheres, por mais formosas que pretendam ser, um traço qualquer de imperfeição.
Uma tem olhos excessivamente pequenos ;
outras apresentam as faces descoradas ;
uma terceira não sabe disfarçar o nariz defeituoso.
outras apresentam as faces descoradas ;
uma terceira não sabe disfarçar o nariz defeituoso.
Esta tem o
queixo saliente ;
envergonha-se aquela da pele toda manchada.
envergonha-se aquela da pele toda manchada.
Queixa-se uma da
boca demasiadamente grande ;
lamenta a outra a pequenez ridícula do colo.
lamenta a outra a pequenez ridícula do colo.
Se
algumas são baixas demais, outras há exageradamente altas.
Vesga é uma ;
parece-nos gaga a outra.
parece-nos gaga a outra.
Uma é formosa e não tem caráter ;
outra é linda, mas estúpida e pouco inteligente.
outra é linda, mas estúpida e pouco inteligente.
Ali encontramos uma que é deslumbrante, mas tem
grave defeito de ser fria e inexpressiva ;
acolá surge-nos outra que é interessante, cheia de encantos, mas é pérfida e desonesta.
acolá surge-nos outra que é interessante, cheia de encantos, mas é pérfida e desonesta.
Todas têm, enfim, no corpo, ou resvalando
para o espírito, traço qualquer de imperfeição : é o sinal de RAMANITA.
Quando o guia terminava a sua curiosa narrativa, passou novamente pelo lugar em que nos achávamos a sedutora americana do Grande Hotel – a original aventureira que caçava ídolos pela Índia.
Olhei atentamente o rosto da linda excursionista e reparei que ela tinha realmente, sobre a face direita, uma pequena mancha escura que descendo do nariz vinha formar uma curva sinuosa junto ao lábio.
Era, com certeza, o sinal de RAMANITA – o sinal terrível que toma mil formas, um milhão de aspectos, mas que, felizmente para as mulheres, os homens apaixonados nunca chegarão a ver.
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